sábado, 9 de novembro de 2013

As noites de sábado.

Já foram de indecisão - onde ir, onde não ir, se vestir isto, se vestir aquilo - de horas bem tardias, de pequenos-almoços à hora em que a pastelaria abria. Consequentemente, os domingos eram dia de descanso, depois de noites prolongadas. Hoje, sei que estou diferente (como, de resto, sempre, de alguma forma, me senti). Sei que alguns seguiram caminhos opostos ao meu. Sei que alguns já não são apenas um. Outros, continuam com a mesma rotina. Hoje é sábado à noite e eu não me preocupei com o local onde ia ou não ia. Muito menos me preocupei com o que vestir. Sou eu, o sofá e uma manta. Chuva e frio lá fora. Hoje é sábado à noite.  

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A avaliação que fazem de nós.

De forma mais ou menos intensa, penso que cedemos sempre à tentação de querer saber o que acham de nós. A nível pessoal, a nível físico, a nível relacional... a todos os níveis. Existem pessoas com as quais nos estamos pouco importando, sendo que o que pensam acerca de nós, em nada revela. Seja porque um dia nos desiludiram, de alguma forma, seja porque mostraram não ser merecedores do que podíamos (queríamos) oferecer. Seja porque a forma como se apresentam perante a vida é de tal forma distinta da nossa, que não faz sentido ter interesse em saber a sua opinião. No entanto, existe sempre alguém cuja opinião acerca de nós mesmos nos importa verdadeiramente. Ou porque se quer agradar a essa pessoa, ou porque à mesma se deve a simples tentativa de ser sempre mais e melhor. De não parar. O pai, a mãe. O irmão, a irmã, os amigos. Porque a estes, achamos sempre dever do melhor que podemos ser, do melhor que possamos conseguir. E esse sentimento será tão natural quanto a vontade que tivermos de retribuir tudo o que essas pessoas, individualmente ou colectivamente, no dia-a-dia, nos momentos especiais, são capazes de nos oferecer. 
Não obstante, talvez guardemos um secreto receio de que terceiros nos avaliem negativamente, e, com isso, sintamos que, um dia, não fomos bastantes, por culpa nossa apenas, para alguém que escolheu não ficar. Talvez.   

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Inesperado.

"Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, 1-7-1916"



Gosto.



E o dia foi...

... cansativo. Começou com a avaria do carro. Vem reboque, vai reboque. Vai buscar carro de substituição. Ruma-se do Norte. Almoça-se tarde e a más horas. Aí vai ela, bota de biqueira de aço, capacete e colete reflector. E aí vem ela, pensam. Mas não sabem quem ela é. É engraçado observar como as pessoas, discretamente - pensam elas - tentam chegar às respostas das perguntas que não querem fazer. Caminha-se para um lado, para o outro. Tomam-se apontamentos, observa-se. Ouvem-se comentários que era suposto não se ouvirem e lê-se um "ups!!" no olhar de quem os fez. 
A vida dá voltas. Surgem oportunidades, perdem-se oportunidades. Mas sim, a vida dá voltas, e com elas podemos sair derrotados, mas também podemos sair fortalecidos. 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Diz que sim.

Que amanhã é dia de rumar aos arredores de Lisboa e de levar os apetrechos. 
Existirá algo mais sexy?

(imagem retirada da net)

Da saudade.

Tenho saudades. De ti e de ti. Assim o disse. Disse que vos amava, que sinto a vossa falta, que sinto saudades. As chamadas não tardaram a chegar, com um "está tudo bem?" carregado de preocupação. A estranheza de um sentimento que se sabe existir mas que, raramente, se coloca em palavras. Estava tudo bem. Quase tudo bem. As saudades são mesmo assim, uma constante, não apenas para mim, mas para todos aqueles cuja partida se tornou uma inevitabilidade em face daquilo que é o nosso país. Tornou-se um país de despedidas. Daqui, até ao Natal, do Natal até, quem sabe - com muita sorte - até Julho. Daqui... até um dia. 
Sim, também tenho saudades tuas. Também sinto a tua falta. A diferença é que não partiste para outro país. Mas, de ti, nem um movimento suspeito, nem preocupação. Nem sinal. E isso, deve bastar. Tem que bastar.