terça-feira, 12 de novembro de 2013

Tudo ou nada!


Engano acertado.

Eu (pessoa cuja capacidade de orientação deixa bastante a desejar, e bastante, é favor), enganei-me e optei pela saída errada de uma rotunda. Dessa, fui ter a outra, seguindo por outra... Depois, lá virei à direita, depois à esquerda (por uma estrada manhosa, manhosa), e lá fui ter ao local que desejava, por forma a conseguir voltar para a terrinha. Mas antes, ouvi o comentário " - Este é o percurso mais rápido e mais curto, e eu nunca me lembro de vir por aqui!".Caso para dizer que foi um daqueles enganos bons, sendo certo que a pessoa que ia a meu lado conhece perfeitamente a minha incrível capacidade de me perder em qualquer lugar e com a maior das facilidades. Por isso, perguntou-me se tinha sido propositado... E eu lá confessei, a muito custo, depois de tamanho brilharete, que não...! 
Ultimamente, como tenho conduzido mais por locais onde passei escassas vezes, começo a desenhar mentalmente o trajecto, por forma a evitar perguntar, uma e outra vez, " - Então, e agora?", mas acabo sempre por confundir saídas e rotundas e cruzamentos... Gostava de possuir a capacidade de me orientar facilmente. Gostava mesmo. Mas não possuo. Vida triste. 

domingo, 10 de novembro de 2013

Ah e tal...

M. - ... mas vamos ao S. Martinho, provar o vinho, ou não?
P. - Oh, deve estar muita confusão hoje... Vamos esperar por um dia mais sossegado!
M. - E então, que vai ser da nossa vida?
P. - Vamos à São, provar as Super que chegaram no carregamento de ontem!!
M. - Também serve, vá.

Gosto de gente assim. Resolvida.

Incertezas.

Saber se devia ter falado ou se devia ter calado. Saber se devia ter dado importância à situação ou, simplesmente, ter deixado que a mesma se desvanecesse. Saber se, de facto, sentes que não tens importância, como afirmaste, ou se essa foi apenas uma forma de tornar a situação mais favorável para ti, criando vulnerabilidade. Saber se fiz o correcto, e saber o porquê deste receio de ter magoado alguém, neste diz que disse que é sempre uma verdadeira treta.   

sábado, 9 de novembro de 2013

As noites de sábado.

Já foram de indecisão - onde ir, onde não ir, se vestir isto, se vestir aquilo - de horas bem tardias, de pequenos-almoços à hora em que a pastelaria abria. Consequentemente, os domingos eram dia de descanso, depois de noites prolongadas. Hoje, sei que estou diferente (como, de resto, sempre, de alguma forma, me senti). Sei que alguns seguiram caminhos opostos ao meu. Sei que alguns já não são apenas um. Outros, continuam com a mesma rotina. Hoje é sábado à noite e eu não me preocupei com o local onde ia ou não ia. Muito menos me preocupei com o que vestir. Sou eu, o sofá e uma manta. Chuva e frio lá fora. Hoje é sábado à noite.  

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A avaliação que fazem de nós.

De forma mais ou menos intensa, penso que cedemos sempre à tentação de querer saber o que acham de nós. A nível pessoal, a nível físico, a nível relacional... a todos os níveis. Existem pessoas com as quais nos estamos pouco importando, sendo que o que pensam acerca de nós, em nada revela. Seja porque um dia nos desiludiram, de alguma forma, seja porque mostraram não ser merecedores do que podíamos (queríamos) oferecer. Seja porque a forma como se apresentam perante a vida é de tal forma distinta da nossa, que não faz sentido ter interesse em saber a sua opinião. No entanto, existe sempre alguém cuja opinião acerca de nós mesmos nos importa verdadeiramente. Ou porque se quer agradar a essa pessoa, ou porque à mesma se deve a simples tentativa de ser sempre mais e melhor. De não parar. O pai, a mãe. O irmão, a irmã, os amigos. Porque a estes, achamos sempre dever do melhor que podemos ser, do melhor que possamos conseguir. E esse sentimento será tão natural quanto a vontade que tivermos de retribuir tudo o que essas pessoas, individualmente ou colectivamente, no dia-a-dia, nos momentos especiais, são capazes de nos oferecer. 
Não obstante, talvez guardemos um secreto receio de que terceiros nos avaliem negativamente, e, com isso, sintamos que, um dia, não fomos bastantes, por culpa nossa apenas, para alguém que escolheu não ficar. Talvez.   

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Inesperado.

"Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, 1-7-1916"